sexta-feira, maio 12, 2006

A América No Seu Melhor

Os cartoons de Tom Toles, no Washington Post, continuam a retratar com sarcasmo a actualidade política norte-americana. Em cima, um sketch à incapacidade do Império em controlar a vontade do Irão... e, em baixo, a reacção à boca de Bush quando afirmou que o seu irmão Jeb (governador da Florida) também daria um belo presidente dos EUA. Acho que foi a expressão também que não caíu bem na opinião pública americana.

quinta-feira, maio 11, 2006

Sem Esticar Muito a Corda

Em Inglaterra, o Procurador-Geral declarou-se a favor do encerramento da prisão de Guantanamo, onde os EUA mantêm várias centenas de prisioneiros sem lhes garantir quaisquer direitos de defesa, sujeitando-os a sessões de tortura, enfim, ao arrepio de todas as convenções internacionais existentes. A manutenção de um campo de prisioneiros com essas características “é inaceitável” disse Lord Goldsmith. "I believe it would also help to remove what has become a symbol to many, right or wrong, of injustice” disse o Procurador-geral ingles que, no entanto, não se referiu às outras cadeiras americanas espalhadas pelo Mundo onde se passa o mesmo que em Guantanamo, nem à questão das torturas, nem à questão dos assassinatos de prisioneiros sob custódia americana. Lord Goldsmith também não disse como se devia fazer para verificar se os EUA abandonam, de facto, a prática de sevícias e a negação de direitos aos prisioneiros, nem mencionou como se deviam castigar os responsáveis materiais e políticos por essas práticas. O Lord inglês não quis puxar muito a corda…

segunda-feira, maio 01, 2006

Contar espingardas

A edição on line do jornal paquistanês Dawn traz um artigo bastante interessante sobre a deriva russa, que se afasta cada vez mais dos EUA e da Europa.
Segundo li, a Rússia anda a vender armas que podem reequilibrar o status quo no Médio Oriente. É o caso dos mísseis Iskander-E vendidos à Síria e ao Irão. O Iskander-E é uma versão bastante melhorada do SCUD, um míssil terra-ar polivalente, que tanto pode ser usado contra aeronaves como para atingir alvos em terra. Este novo míssil está equipado com software capaz de enganar os Patriot de fabrico soviético. Entre estes mísseis russos e americanos houve já dois duelos, nas duas guerras do Golfo. Um terceiro confronto pode estar eminente.
Este tipo de armamento é de venda livre, já que nunca foi assinado qualquer acordo entre as potências mundiais que limite o seu comércio ou proliferação. Diz-se no artigo que estou a citar que o míssil subaquático iraniano, experimentado no mês passado, é também uma nova arma com tecnologia russa, o míssil Shkval.
E fala-se ainda da venda ao Irão de um lote de algumas dezenas de mísseis Tor-M1, um míssil defensivo terra-ar.
Além da venda de armas, a Rússia já demonstrou que não quer saber de quem o Ocidente não gosta. Os russos receberam em Moscovo o Hamas, o que deixou os israelitas à beira de um ataque de nervos.
Os EUA enviaram uma mensagem a Moscovo, dizendo que esta altura não era propícia para negociar armas com o Irão, mas a ideia não parece ter sido bem recebida por Putin, um homem pouco habituado a obedecer seja a quem for.

segunda-feira, abril 24, 2006

O Império está só


O cartoon de Dick Locher, publicado no Washington Post, retrata a situação em que os EUA se encontram, quanto à quase certa ofensiva militar contra o Irão: sozinhos. Ainda assim, tudo indica que nada irá demover Mister Danger dos seus intentos, até porque as eleições aproximam-se e nunca se sabe o que uma bela guerrazita poderá proporcionar em termos de oportunidades políticas para os republicanos...

sexta-feira, abril 14, 2006

Iraque, uma trapalhada tremenda

Tenho andado para aqui a pensar com os meus botões… os camelos do governo americano só têm feito merda (e da grossa) no Iraque. Já repararam que os tipos estão a bater nos amigos de sempre e julgam que controlam os inimigos de sempre? Os sunitas e o Partido Baas de Saddam Hussein são pró-ocidentais, ou eram até agora, até à invasão americana. Os shiitas são pró-Irão, muçulmanos radicais e, aposto o que quiserem, não tarda nada estão a dar um chuto nos yankees.
Para os shiitas e os ayatollahs do Irão, os EUA estão-lhes a pagar uma dívida antiga, do tempo da primeira guerra do Golfo, quando o outro Bush libertou o Koweit e fingiu que ia castigar Saddam. Na altura, os americanos apelaram a uma insurreição geral contra Saddam e os shiitas pensaram que era a sério. Revoltaram-se. Os americanos pararam a ofensiva e retiraram calmamente, deixando os shiitas a levar nas trombas. Saddam vingou-se bem, na época, houve milhares de mortos shiitas na repressão do exército iraquiano. Pois, então agora, os americanos estão a cumprir essa velha promessa… mas a coisa está feita, os shiitas já não precisam mais deles, o exército shiita tem já mais de 100 mil efectivos e está pronto para tomar conta da situação. Isto é, pronto para se aguentar numa guerra civil em que os shiitas esperam esmagar impiedosamente os sunitas. Gostava de perceber para onde aponta a estratégia politico-militar dos EUA… é que não entendo. Em vez de espalharem a democracia, ajudaram a expandir a ideologia radical do Irão que de democracia tem o acto eleitoral. O que é curto, como sabemos. Se isto tudo foi só para deitar as mãos ao petróleo… acho que foi como deitar gasolina numa fogueira.

quinta-feira, abril 13, 2006

Sangue por Petróleo

O filho de Cindy Sheehan morreu no Iraque e, desde esse dia, a senhora tem feito tudo para tirar do Iraque todos os outros soldados norte-americanos. Desde que Bush foi reeleito que esta senhora não lhe larga a porta, numa manifestação contínua de protesto que, em determinados momentos, já congregou multidões de dezenas de milhar de pessoas. Os protestos de Cindy decorrem à entrada rancho do presidente yankee, em Crawford, Texas. Não é possível dizer se estes protestos têm conseguido chatear Bush, mas parece que têm chateado bastante as poucas centenas de habitantes da localidade que fica por ali perto. Habituados à pacatez da vida do campo, os vizinhos de Bush estão a odiar o bulício provocado pelas multidões que se deslocam para lá em apoio dos protestos de Cindy Sheehan. Parece que os engarrafamentos são uma constante e o custo de vida tem subido bastante. Já houve, até, contra manifestações… aposto que de gente que ainda não perdeu nenhum ente querido naquela guerra.

terça-feira, abril 11, 2006

Losing the soul, pobres coitados

A China comprou as consciências dos democratas. Vale tudo, para se obter oportunidades de negócio no grande mercado chinês, na nova terra prometida para os capitalistas.
O presidente da câmara de Londres (lá chama-se mayor) acaba de dar uma lição de falta de espinha ou, se quiserem, de pragmatismo político. Em Pequim, o senhor Livingstone (lá chamam-lhe lord) na ânsia de captar investimentos chineses para a sua terra e obtenção de favores para os banqueiros que lhe pagam o sustento, afirmou que o massacre de Tiananmen, ocorrido em 1989, não é suficientemente relevante para colocar obstáculos ao bom entendimento entre a China e a Inglaterra.

Tanto se baixou, o senhor lord, que foi ao ponto de se auto flagelar, lembrando as barbaridades cometidas pelos próprios ingleses na Guerra do Ópio (que decorreu em território chinês, no século 18), na Irlanda do Norte e no recém descoberto caso das torturas e assassinatos de militantes comunistas durante a Guerra Fria.

na gravura: juncos chineses a serem destruídos pela artilharia inglesa,

durante a Guerra do Ópio

Não se pode criticar a vontade de negociar batatas, têxteis, sapatos ou automóveis com a China… mas, daí a vender a alma… o senhor lord mayor vai parar ao inferno, ai vai, vai.