Abjecções
As potências ocidentais sempre toleraram as ditaduras mais abjectas, desde que os seus interesses económicos e estratégicos não estivessem em causa. Quando estão, lá vêm os discursos da superioridade moral das democracias.

Durante décadas, este tipo de política deu resultados: o capitalismo expandiu-se e a potência mais poderosa acabou por sobrepor-se às demais. Os EUA, hoje, pretendem mandar no Mundo. Os EUA ou, melhor dizendo, os complexos industriais militares e as tríades económicas… o exército americano é apenas um veículo de poder, o senhor Bush um “espantalho” bem pago…
Mas agora, está a acontecer um fenómeno curioso, no mínimo… uma das armas da guerra fria está a começar a virar-se contra o manipulador. Explicando: a expansão dos ideais democráticos, a internacionalização das sociedades, a “aldeia global”, a televisão, a Internet, o aburguesamento dos costumes, as novas profissões, as mudanças de mentalidade, tudo isto está, ironicamente, a virar-se contra o domínio dos EUA no Mundo e acabará por ser a principal razão do inevitável desabamento do Império e da revolução mundial que há-de vir a seguir.
Perguntam como… vou tentar explicar: já repararam que na maioria dos países onde o ocidente tem imposto o multipartidarismo e práticas “para-democráticas”, os regimes emergentes não são propriamente amigos ou venerandos para os americanos?
É rigorosamente verdade. No Líbano, por exemplo, depois da guerra civil, até o Hezbollah (um grupo considerado terrorista no índex dos americanos) tem 14 deputados eleitos e um ministro no governo. No Irão, recentemente, o novo Presidente da República eleito é um radical religioso anti-americano. Na Palestina, o Hamas (outro grupo terrorista no índex americano) tem vários autarcas eleitos e prepara-se para disputar todas as eleições que se aproximam. Será que em Washington se pensa que os antigos inimigos se poderão converter em amigos? Acho difícil… nem todos se chamam José Eduardo dos Santos… e se quisermos fazer um exercício especulativo, porque não admitir que, daqui a uns anos, um regime eleito pelas regras democráticas na Arábia Saudita possa decidir deixar de vender petróleo ao ocidente? Porque não admitir que ditaduras monárquicas, mas amigas, como Marrocos ou a Jordânia, possam transformar-se em democracias hostis ao ocidente? E a Líbia, a Tunísia, a Nigéria (de maioria muçulmana), a África do Sul, a Rússia, o Paquistão… porque não admitir a hipótese de que a vontade democraticamente expressa destes países venha a ser adversária da Europa e da América? Porque há-de isso acontecer? Porque a civilização ocidental enriqueceu à custa desses povos, porque os regimes mais abjectos que têm oprimido esses povos foram incentivados ou tolerados pelo Ocidente. Foram e continuam a ser.

Durante décadas, este tipo de política deu resultados: o capitalismo expandiu-se e a potência mais poderosa acabou por sobrepor-se às demais. Os EUA, hoje, pretendem mandar no Mundo. Os EUA ou, melhor dizendo, os complexos industriais militares e as tríades económicas… o exército americano é apenas um veículo de poder, o senhor Bush um “espantalho” bem pago…
Mas agora, está a acontecer um fenómeno curioso, no mínimo… uma das armas da guerra fria está a começar a virar-se contra o manipulador. Explicando: a expansão dos ideais democráticos, a internacionalização das sociedades, a “aldeia global”, a televisão, a Internet, o aburguesamento dos costumes, as novas profissões, as mudanças de mentalidade, tudo isto está, ironicamente, a virar-se contra o domínio dos EUA no Mundo e acabará por ser a principal razão do inevitável desabamento do Império e da revolução mundial que há-de vir a seguir.
Perguntam como… vou tentar explicar: já repararam que na maioria dos países onde o ocidente tem imposto o multipartidarismo e práticas “para-democráticas”, os regimes emergentes não são propriamente amigos ou venerandos para os americanos?
É rigorosamente verdade. No Líbano, por exemplo, depois da guerra civil, até o Hezbollah (um grupo considerado terrorista no índex dos americanos) tem 14 deputados eleitos e um ministro no governo. No Irão, recentemente, o novo Presidente da República eleito é um radical religioso anti-americano. Na Palestina, o Hamas (outro grupo terrorista no índex americano) tem vários autarcas eleitos e prepara-se para disputar todas as eleições que se aproximam. Será que em Washington se pensa que os antigos inimigos se poderão converter em amigos? Acho difícil… nem todos se chamam José Eduardo dos Santos… e se quisermos fazer um exercício especulativo, porque não admitir que, daqui a uns anos, um regime eleito pelas regras democráticas na Arábia Saudita possa decidir deixar de vender petróleo ao ocidente? Porque não admitir que ditaduras monárquicas, mas amigas, como Marrocos ou a Jordânia, possam transformar-se em democracias hostis ao ocidente? E a Líbia, a Tunísia, a Nigéria (de maioria muçulmana), a África do Sul, a Rússia, o Paquistão… porque não admitir a hipótese de que a vontade democraticamente expressa destes países venha a ser adversária da Europa e da América? Porque há-de isso acontecer? Porque a civilização ocidental enriqueceu à custa desses povos, porque os regimes mais abjectos que têm oprimido esses povos foram incentivados ou tolerados pelo Ocidente. Foram e continuam a ser.

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