O texto seguinte foi retirado na íntegra do blog "Um Homem das Cidades":
A “Operação Northwoods” foi um
plano feito pela NSA (National Security Agency), sob pedido da Junta de Chefes de Estado Maior dos EUA, aprovado pelo Conselho de Segurança Nacional e pelo então Secretário da Defesa, Robert Mcnamara, um funcionário do grupo Rockefeller.Como escreveu James Bamford, que em 2001, depois de vasculhar documentos do Pentágono que, devido à lei, tinham deixado de ser secretos, no seu livro “Body of Secrets” – um minucioso estudo de 750 páginas sobre as actividades da NSA desde a sua fundação, em 1952 - a “Operação Northwoods” incluía “o afundamento de navios norte-americanos, a queda de aviões em cima de cidades, incluindo Miami, Atlanta e Washington, com a morte de civis, e, inclusive, a destruição, depois do lançamento, do foguete que levaria o astronauta John Glenn, com o horror de sua explosão e a morte do astronauta imputadas, como um acto de terror de Estado, a Cuba.A “Operação Northwoods” eram planos de Estado minuciosamente preparados, aprovados pelas mais altas autoridades militares e de inteligência, e apresentados como uma reivindicação ao secretário da Defesa, Robert McNamara, e ao presidente Kennedy”.“... a Junta de Chefes de Estado Maior indica uma breve mas precisa descrição dos pretextos que eles consideram que forneceriam uma justificação para a intervenção militar dos EUA em Cuba”, assim começa o plano (página 5 do memorando ao Secretário da Defesa, que tem o título de “Justificação para Intervenção Militar dos EUA em Cuba”).“As acções são baseadas na premissa de que a intervenção militar dos EUA resultará de (....) que os EUA estejam na posição de nutrir justificáveis ressentimentos. A opinião mundial, e o forum da ONU, devem ser favoravelmente afectados pelo desenvolvimento da imagem internacional do governo cubano como impulsivo e irresponsável, e como uma alarmante e imprevisível ameaça à paz do Hemisfério Ocidental”.Para mostrar que o governo cubano era irracional, a Operação Northwoods preconizava assassinatos e outros actos de terrorismo: “uma vez que pareceria desejável usar legítima provocação como base para a intervenção militar em Cuba”, era preciso realizar “um plano encoberto e de embuste [deception]”.A lista das acções incluía: “explodir munição dentro da base [de Guantanamo]”; “sabotagem de navios [americanos]”, e “afundar navio perto da entrada da baía de Guantanamo”, com a recomendação de que o funeral das vítimas deveria contar com não menos que 10 delas (página 11, item 1-a/subitem 11). Não se contentando com uma lista sumária dos crimes a serem perpetrados, o plano faz algumas sugestões responsáveis e serenas: “Nós poderíamos explodir um navio dos EUA e culpar Cuba. (....) A lista de vítimas nos jornais americanos deveria causar uma útil onda de indignação nacional (item 3-a e 3-b).“Nós poderíamos desenvolver uma campanha de terror Comunista Cubano na área de Miami, em outras cidades da Florida e mesmo em Washington. A campanha de terror deve ser dirigida contra os cubanos refugiados que moram nos EUA. Nós poderíamos afundar um barco lotado de cubanos em rota para Miami (real ou simulado).Nós poderíamos fomentar atentados contra vidas de cubanos refugiados nos EUA para apresentar a extensão dos ferimentos para ser intensamente divulgados. Explodir bombas plásticas em alvos cuidadosamente escolhidos, prender agentes cubanos e vazar documentos preparados para envolver Cuba, também deveriam ser úteis em projectar a ideia de um governo irresponsável” (item 4).“Um ato de pirataria baseado em Cuba, apoiado por Castro deve ser simulado contra uma vizinha nação do Caribe. Estes esforços podem ser amplificados e outros inventados para exibição” (item 5).“O uso de aviões tipo MIG por pilotos dos EUA deve fornecer uma provocação adicional. O assédio da aviação civil, ataques contra navios de superfície e destruição de aviões militares dos EUA por MIGs, devem ser usados como acções complementares” (item 6). “Tentativas de sequestro contra a aviação civil e barcos devem parecer como continuação das medidas de assédio coordenadas pelo governo de Cuba” (item 7).“É possível criar um incidente que demonstrará convincentemente que uma aeronave cubana atacou e derrubou um avião de turismo em rota dos EUA para a Jamaica, Guatemala, Panamá ou Venezuela. Os passageiros podem ser um grupo de universitários em férias ou um grupo de pessoas com um comum interesse de alugar um voo charter” (item 8).“É possível criar um incidente que fará acreditar que os MIGs comunistas cubanos destruíram uma aeronave da Força Aérea dos EUA”. (item 9).O plano, elaborado pela NSA, foi assinado por cada um dos membros da Junta de Chefes de Estado Maior, levado ao Conselho de Segurança Nacional, que o aprovou e, depois, a McNamara, que também o aprovou. Somente Kennedy, da forma que pôde, o impediu.