Domingo, Outubro 30, 2005

Varrer Israel do Mapa

Mahmoud Ahmadinejad não bebe, ele cumpre a preceito os rigores do islamismo, por certo. Agora, talvez fume umas coisas estranhas, sei lá... aqueles povos asiáticos têm hábitos tão diferentes, não é?

Não sei, nem percebo, porque diabo foi o homem falar em "varrer Israel do mapa Mundo"... decerto que sabia que ia desencadear a ira do Império. A não ser que o presidente iraniano tenha querido destapar mais uma cena do cinismo político que grassa por aí. É que, todos os dias, a todas as horas, os mais importantes e os mais insignificantes dirigentes do mundo islamizado usam essa terminologia. "Varrer Israel do mapa" é palavra de ordem, não é nenhuma novidade. Sermão que não expresse esse desejo não é sermão digno.
Portanto, qual é a admiração?

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Bush Já Está a Perder

A guerra no Iraque foi "um erro" para 53 por cento dos norte-americanos, de acordo com uma sondagem do instituto Harris Interactive, publicada pelo Wall Street Journal.
Apenas 34 por cento dos entrevistados consideraram a intervenção militar norte-americana no Iraque justificada, acrescenta a sondagem.

Mortos Americanos no Iraque II

O Senado norte-americano observou ontem um minuto de silêncio em homenagem aos 2.000 militares mortos na guerra no Iraque, uma fasquia ultrapassada com a morte anunciada pelo Pentágono de um soldado ferido há oito dias em Samarra.


Domingo, Outubro 23, 2005

Mortos Americanos No Iraque

Estatística compilada por Brookings Institution, dados publicados hoje no Washington Post:

1996 soldados mortos em combate.
320 funcionários civis.
Mais de 15 mil soldados feridos em combate.
Das vítimas iraquianas, nada se sabe, ninguém os contabiliza.

Eles Duvidam Que O Mundo os Odeia

Bush e Blair estão terrívelmente desapontados com o povo iraquiano. Não entendem porque razão o povo continua a resistir contra a presença das tropas da coligação.

Para tentar perceber melhor a dimensão do problema, Bush e Blair mandaram fazer uma sondagem entre os iraquianos. Os resultados foram, agora, divulgados. São tremendos...
1- 82% contra a presença das tropas da coligação.
2- 42% consideram que os ataques contra as tropas da coligação são justificados.
3- menos de 1% concorda que a presença das tropas da coligação ajudou a melhorar as condições de segurança.
Bush e Blair não parecem querer entender que, para além de terem invadido um Estado soberano, para além de terem desrespeitado o Direito Internacional, as suas tropas têm praticado actos inqualificáveis de desrespeito dos direitos mais elementares dos iraquianos.
Os últimos relatos saídos de Guantanamo são quase inacreditáveis. Os presos, muitos deles detidos desde 2001 sem culpa formada, acusam os guardas americanos de actos de tortura ignóbeis: queimaduras com cigarros, sevícias sexuais, esfregados com pensos higiénicos sujos de sangue menstrual, embrulhados em bandeiras israelitas, alimentados com comida estragada, água de beber suja com cuspo dos guardas que, por vezes, urinam para cima dos presos... enfim, um rol de nojeiras impossível de tolerar.

Sábado, Outubro 22, 2005

O Amigo Juíz

Lapso? Distracção? Azar? Descuido? Esquecimento? Negligência? Não. Cheira-me a corrupção. Cheira que tresanda.
Falo do facto de ter sido o próprio Departamento de Investigação e Acção Penal a avisar os bancos de que iam receber uma inspecção “surpresa” a determinadas contas suspeitas de servirem lavandarias de dinheiro e de fuga ao fisco.
O relato dos acontecimentos vem nos jornais de hoje. Mas o tom das palavras já deixa adivinhar que nada demais vai acontecer… quando os jornalistas escrevem de modo tão sereno, já alguém lhes encomendou o sermão.
O que interessa é que o tal “lapso”, “descuido” ou lá como queiram chamar, deve ter sido bem pago. É que oportunidades destas não aparecem todos os dias… e safar quatro instituições bancárias e respectivos excelentíssimos clientes de uma investigação policial deve valer uns milhares ou mesmo milhões. Digo eu, sei lá.

Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Levado ao Colo

Apareceu aparentemente só. Mas, de facto, está a ser levado ao colo pela máquina partidária do PSD e pelos lobbies financeiros que rodeiam esse partido político.

A campanha despudorada da SIC anunciando dias a fio a "cerimónia" do anúncio da candidatura (parecia que era Dom Sebastião quem aí vinha...), o apoio descarado da TVI, o seguidismo envergonhado da RTP, são prova da boleia que os media estão a dar a Cavaco. O mesmo tipo que sempre desdenhou jornalistas, que afirmava que não lia jornais, o homem que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. O mesmíssimo tipo que reprimiu pela força os sindicalistas da PSP, o mesmíssimo tipo que reprimiu estupidamente o protesto na ponte 25 de Abril. Cavaco, o governante que inventou o actual sistema retributivo da Função Pública que, ao que parece, está a levar o país para a bancarrota... mesmo se, agora, Cavaco nega essa paternidade e chama os funcionários do Estado de calaceiros para cima. Ele, que sempre ganhou a vidinha a trabalhar para o Estado. Mas, ele é que é o competente. Os outros são uma merda... Mas o que querem?, hoje, Cavaco, que já não pode ser Primeiro-Ministro, poderá voltar a ser útil aos banqueiros, aos industriais, aos capitalistas, ao Salgado, ao Balsemão, ao Paes ou ao Azevedo, como Presidente... daí o coro de aplausos... daí que, neste momento, a SIC Notícias tenha no ar um programa, alegadamente para comentar as candidaturas, onde só há comentadores da direita: Rogeiro (assalariado do Balsemão), Delgado (criado do Balsemão), Henrique Monteiro (empregado do Balsemão) e Ricardo Costa (amigo do dinheiro do Balsemão). Estão a ver a isenção da coisa...
Na RTP, confirmou-se a falta de ética reinante numa empresa dominada pelo PSD, desde a Administração até à Direcção de Informação. São todos do PSD, salvo os merdosos que por falta de espinha comem e calam... Pois foi o sobrinho do Dias Loureiro (outro capitalista do PSD) quem fez a reportagem do dia, Cavaco lançando-se para Belém. Assim, o Vitinho Gonçalves (o apelido Loureiro tem sido sublimado...) sempre aproveitou para propagandear o seu livro que, claro!, faz parte do lançamento desta campanha... Se fosse eu a mandar, o rapaz ia fazer um estágio para a secção de notícias desportivas...

Domingo, Outubro 16, 2005

A Nova Guerra Fria

Putin defendeu o direito do Irão a construir centrais nucleares e a enriquecer urânio, para fins pacíficos, nomeadamente a produção de energia eléctrica. Esta novidade rebentou na tromba de Condoleezza Rice, a secretária de estado dos EUA, precisamente de visita a Moscovo.
A Rússia diz que qualquer estado que assine e respeite o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares tem o direito a desenvolver o seu programa “civil” de produção de energia nuclear. O Irão assinou o tratado em questão e o governo iraniano compromete-se a respeitá-lo.Para a Rússia, as desconfianças dos EUA não servem de prova que o Irão está a pensar construer armas nucleares sob o pretexto da produção energética.
Pelo que li, em jornais on-line, a senhorita Rice ficou sem resposta, limitou-se a repetir que “o Irão não é confiável”… Tudo isto se passou numa conferência de imprensa conjunta, da senhorita Rice e do Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Lavrov. Deve ter sido um espectáculo digno de ser visto… e raro.
A Nova Guerra Fria está aí, já não tenho dúvidas. A Rússia, cercada por bases militares dos EUA, atacada internamente por forças dissidentes claramente apoiadas pelos americanos, tenta romper esse cerco procurando parceiros suficientemente fortes fora do círculo de influência americana…

Sábado, Outubro 15, 2005

Saddam Em Cena

Saddam Hussein rejeitou todas as acusações pelas quais vai começar a ser julgado no próximo dia 19. O deposto ditador, que sabe que vai ser condenado à morte, acusou o tribunal de "encenar uma peça teatral" e de estar a falhar no réu: "o verdadeiro criminoso é Bush!" - gritou.

A cena passou-se no Palácio da Vitória, um dos palácios de Bagdad mandados construir por Saddam. É lá que está instalado o tribunal especial que vai julgar o ex-ditador.
Saddam Hussein al-Majid enfrenta 7 acusações, qualquer delas lhe pode colocar uma corda ao pescoço, caso venha a ser considerado culpado: o assassinato de vários dirigentes religiosos shiitas em 1974; gaseamento de populações kurdas em Halabja em 1988; a morte do clã Barzani, de etnia kurda, em 1983; morte de vários adversários políticos nos últimos 30 anos; a deportação da população kurda no periodo 1986/88, acção conhecida por "Campanha Anfal"; a invasão do Koweit em 1990.
O tribunal foi constituído por pressão dos EUA, está a ser pago pelos EUA, está protegido por tropas dos EUA e será aconselhado por peritos dos EUA. É aqui que Saddam se pode safar da corda ao pescoço... é que a grande maioria das acusações que lhe fazem são de actos políticos efectuados sob consentimento dos EUA. Daí que...

Será Que Ela Fuma Charuto?



A senhora senadora Hillary Rodham Clinton prepara-se para ocupar o cadeirão que já foi do marido: a presidência dos EUA.
Para isso, a senhora já depositou num banco a módica quantia de 14 milhões de dólares... o que se pensa ser suficiente para uma campanha em condições.
Recentes sondagens dão-lhe boas possibilidades de vencer as eleições primárias do Partido Democrata. Os 14 milhões são prova disso. O dinheiro é que é importante, as ideias vêm depois. As eleições são só em 2008. Até lá, o Mundo tem de aguentar com o cowboy...

Sexta-feira, Outubro 14, 2005

Cercar a Rússia

Condoleezza Rice viajou até à Ásia Central e esgalhou um acordo para abrir uma base militar americana no Quirguistão. Porque diabo querem os americanos tantas bases militares nas barbas dos russos?

Não tenho a certeza sobre a resposta, mas suspeito que não será para proteger os interesses dos russos... nem tão pouco dos povos das ex-repúblicas soviéticas. Talvez seja para apoiar os regimes lá instalados após o colapso da URSS, mesmo se são regimes ditatoriais, esclavagistas do próprio povo e tão anti-democráticos como os antigos senhores daquelas paragens.
Bom, esta conversa leva-me a um post recente aqui no Navio, onde dava conta do fenómeno das deserções em massa de soldados e polícias destas repúblicas asiáticas (e de outras também)... alegadamente para as fileiras de grupos rebeldes oposicionistas (agora chamam-se genéricamente terroristas), nomeadamente para a resistência chechena, isto depois de terem recebido instrução militar e armamento dos americanos... e, se têm lido jornais e visto telejornais, talvez não seja completamente pateta linkar estas informações todas com o recente ataque de um numeroso grupo rebelde inimigo de Putin... ou seja, os desertores treinados pelos americanos a tentar um golpe contra Moscovo... tem até alguma lógica, do ponto de vista da estratégia expansionista e hegemónica global dos EUA...
Ah! Sabem o que disse a Condoleezza sobre isto, no caso sobre a nova base militar no Quirguistão? Passo a citar: "pecisamos de uma base naquela região para apoiar a construção de um Governo democrático e estável no Afeganistão. Ao mesmo tempo, encorajamos os países da região a introduzirem reformas sociais e económicas. Não vimos isto como uma competição com a Rússia".
Pois não...

Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Prazo Muito Alargado

O infeliz deste senhor ministro inglês (Straw...o da foto) acaba de anunciar que a "estabilização" do Iraque só deve ser alcançada dentro de 10 anos... e como as tropas inglesas só deverão abandonar o Iraque com o regime estabilizado, a coisa está para lavar e durar.
As palavras exactas de Jack Straw: "I am optimistic, I think in five to 10 years we will see it becoming stable".
Ainda bem que o tipo está optimista. Olha se não estivesse...

Terça-feira, Outubro 11, 2005

Duelo ao Sol

Hugo Chavez continua a irritar o vizinho. Agora deu para querer equipar a Venezuela com capacidade nuclear. A coisa pode dar para o torto.

O governo dos EUA, pelo menos o actual, considera Chavez como um inimigo a abater e, mais do que uma vez, a CIA já fomentou tentativas de golpe de estado para derrubar o regime venezuelano.
A Venezuela propôs à Argentina a venda de tecnologia nuclear. A Argentina já o fez, no passado, e mais do que uma vez. Vendeu tecnologia e equipamentos nucleares a países como o Egipto, a Austrália, a Argélia e o Peru, sempre com o consentimento dos EUA. Mas, agora, com a Venezuela, o negócio não parece ser assim tão óbvio. Os EUA não deverão estar de acordo e isso está a criar tensões dentro do governo argentino, já que uns querem vender e outros receiam fazê-lo, ou melhor, receiam desagradar ao boss...
O negócio foi proposto por Chavez em Agosto passado, no maior dos segredos... e soube-se agora através de uma oportuna fuga de informação para os jornais de Buenos Aires. Eu aposto que o negócio não se fará. A Argentina não é assim tão independente...

Domingo, Outubro 09, 2005

Manter o Medo

Uma "fonte credível" relatou sob tortura uma "ameaça credível" e, assim, hoje, em Nova Iorque, o pânico está instalado.

(Photo by Mario Tama/Getty Images)
O metropolitano, que será alvo de um ataque terrorista hoje, está a ser fortemente patrulhado pelas várias polícias, passageiros estão a ser identificados e inspeccionados (sobretudo os mais escurinhos, com "ar de terroristas"). E assim se mantém altos os níveis do medo na sociedade, condição essencial para manter as pessoas aprisionadas sem se aperceberem de que o estão...

O Castigo Divino

O trágico saldo de mortes e destruição do terramoto, que afectou principalmente o Paquistão, só pode ter uma justificação divina à luz da mais recente revelação de Bush.

Assim como o presidente dos EUA garantiu que toda a sua política externa é orientada por Deus, deve ter sido Ele a decretar a pena de morte de 30 mil paquistaneses e mais algumas centenas de indianos e afegãos. Os que morreram seriam, certamente, inimigos da política de Bush… que é como quem diz, inimigos de Deus... (branco, metodista). É que, tal como foi dito a propósito da catástrofe de New Orleans, "God doesn`t like red states"... podemos, agora, acrescentar que também não gosta de muçulmanos...

Sexta-feira, Outubro 07, 2005

Elegeram os Bandidos

As recentes eleições no Afeganistão foram um sucesso… para os senhores da guerra. O povo deu o voto aos caciques do costume. O futuro parlamento do país vai, assim, ser dominado pelos chefes tribais, pelos poderosos. Quer isto dizer que, por exemplo, os maiores produtores de ópio e traficantes de drogas e armas vão, todos, passar a ter uma ocupação legal e beneficiar dos privilégios e imunidades inerentes aos eleitos pelos povo.

A verdade é que os próprios americanos já reconheceram não serem capazes de evitar o cultivo das papoilas e que vastas áreas do território afegão continuam fora da autoridade do estado e, portanto, fora do controlo das tropas americanas. A violência, de resto, tem vindo a aumentar e os últimos meses foram, mesmo, os mais sangrentos dos últimos anos. Vários helicópteros americanos foram abatidos, algumas emboscadas bem sucedidas, o que resultou num saldo de várias dezenas de mortes de soldados das forças de ocupação.
Os maiores fracassos (e já ninguém fala neles… porque será?) continuam a ser a caça aos dois chefes do regime Taliban deposto, o Mullah Omar e Bin Laden. Quatro anos depois, milhares de mortos depois, 30 mil soldados estrangeiros depois, os Taliban continuam a resistir (só podem ter apoio popular) e o Afeganistão continua longe da paz e do progresso prometidos.

Quarta-feira, Outubro 05, 2005

Pisar Na Merda

Americanos e ingleses têm andado a treinar e armar o inimigo e… só agora deram por isso. Até daria vontade de rir, se não fosse tão trágico.

Acabaram de ser suspensos os programas de cooperação militar com o Tadjiquistão, Uzbequistão, Kirguisia, Turquemenistão, Geórgia, Ucrânia e Azerbeijão… porque alguém se meteu a contar o número de deserções de soldados desses países, a grande maioria das quais se suspeita de serem de militantes islamistas que, depois de terem recebido treino militar e armamento dos americanos, se passaram para as fileiras de vários grupos islâmicos, entre os quais a resistência chechena.
Esses desertores vão de mala feita… levam, não só fardas, mas M-16, RPGs, equipamento de comunicações, de visão nocturna e outras coisas úteis para a guerra.
O pior é que nem em todo o lado os americanos podem, pura e simplesmente, parar com esses programas de cooperação militar. É o caso do Afeganistão e do Iraque, onde os yankees estão desejosos de colocarem indígenas nas frentes de batalha. Nesses países, as deserções são elevadíssimas. Um relatório recente do Ministério da Defesa afegão diz que, desde meados de 2002, as deserções equivalem a 25% do total de efectivos do exército… No Iraque, cerca de 500 mil homens alistaram-se no novo exército treinado e comandado por americanos. Mas, desse meio milhão, cerca de metade desapareceu, parte por decisão dos próprios instrutores americanos que os consideraram incapazes de receber qualquer tipo de treino e disciplina militar, outra parte porque desertaram. Da metade que sobrou, os americanos desconfiam seriamente da sua lealdade para com o novo regime…
Os americanos não param de pisar merda… o estranho é que o cheiro não os incomoda.

A Malta Está Desanimada

Problemas no recrutamento para o exército dos EUA. Os objectivos não foram cumpridos e não vai ser possível a criação de 10 novas brigadas de combate, como queriam os generais.

As previsões apontavam para a entrada de 80 mil novos recrutas, mas apenas se inscreveram 73 mil e, destes, muitos deverão ser recusados por questões físicas, de saúde ou outras.
Actualmente o exército dos EUA tem 315 mil militares combatentes e quase 200 mil em serviços administrativos. Provavelmente, muitos dos administrativos terão de pegar em armas…
O recrutamento de 2005 foi um fiasco, apesar das condições serem, agora, mais atractivas para os jovens mancebos. Há um prémio de alistamento de cerca de 18 mil euros (nada mau!), deduções fiscais para quem cumpra mais de 4 anos de serviço e outras benesses.
É tudo muito bonito, mas a rapaziada tem de ir para o Iraque e para o Afeganistão andar aos tiros… e isso é que está a desanimar a malta.

Segunda-feira, Outubro 03, 2005

É do Interesse do Estado Angolano Andar a Chatear-nos

O Ministério das Relações Exteriores de Angola acusou hoje o Consulado Geral de Portugal em Luanda de "humilhar" os cidadãos angolanos que pretendem obter vistos de entrada em Portugal, considerando que estão em causa interesses do Estado angolano.

“Humilhação” por causa das longas filas de espera e pelo facto de que, quando o visto é recusado, o passaporte angolano ser carimbado, o que leva a dificuldades posteriores junto de outras embaixadas para a concessão de vistos… "Se Portugal não quer dar o visto, deve devolver o passaporte. Não tem que criar dificuldades ao cidadão para obter visto noutro país. Esta é uma condicionante que tem de acabar", disse um porta-voz do Ministério que dá pelo nome de João Pedro…
O Cônsul português respondeu com números: durante o mês de Agosto, o consulado atribuiu 1.691 vistos, depois de ter atribuído 1.651 em Julho e 1.175 em Junho. Números que tornam evidentes as dificuldades do consulado para atender a avalanche diário de pedidos de visto.
Mas, na minha opinião, o governo angolano devia preocupar-se mais consigo próprio e com as verdadeiras humilhações que impõe aos seus cidadãos. O atendimento prestado aos angolanos na embaixada de Angola em Lisboa é exemplo disso, já que querem falar de filas intermináveis, incompetência, rudeza no atendimento, ordinarice dos funcionários, ineficiência dos serviços. É de tal maneira que muitos angolanos, quando precisam de um papel, de renovar o bilhete de identidade ou o passaporte, uma certidão de nascimento ou um certificado de habilitações, preferem apanhar o avião e ir a Luanda… é mais rápido e mais barato, apesar do bilhete de avião custar mais de mil euros.

Sábado, Outubro 01, 2005

Porque Se Matam Eles

O Grande Congo, também conhecido por República Democrática do Congo, ex-Zaire, está de novo à beira da guerra.

Como se já não bastassem os constantes tumultos no leste, na zona fronteiriça com o Rwanda, agora é o Uganda quem ameaça invadir o Congo, de novo, em perseguição dos rebeldes do chamado Exército de Resistência do Senhor. Este grupo que luta contra o regime do presidente Yoweri Museveni, provoca razias na população do norte do Uganda e refugia-se em território congolês. Esta situação dura já desde 1988 e o governo ugandês diz que está na altura de terminar. Como o estado congolês não tem autoridade sobre os territórios em que os rebeldes ugandeses se refugiam, o Uganda invadirá esses territórios para aniquilar o inimigo. Nada que já não tivesse sido visto antes, mesmo no Congo. Foi o que fez o regime angolano para aniquilar as bases de retaguarda da UNITA. Foi no final da década de 90, quando o Congo viveu uma guerra que envolveu seis exércitos estrangeiros e dividiu o país em três. Essa guerra terminou em 2003, mas imensas partes do território do Congo continuaram longe da autoridade do estado. No sul, permanecem as bases militares de Angola, ao longo de toda a fronteira comum e na zona envolvente de Cabinda. No Leste, a influência das guerrilhas Hutu e Tutsi continua a dominar os destinos das populações, no norte permanece uma determinada “autonomia” de territórios dominados pelo Movimento de Libertação do Congo que lutou contra o regime colocado em Kinshasa. E porque lutam estes tipos todos, uns contra os outros? Pelo poder, mas principalmente pelo dinheiro, claro. O dinheiro que os capitalistas do ocidente lhes pagam pelos diamantes, pelo ouro, pelo petróleo, pelo coltam, pelas madeiras exóticas… por isso, eles se matam.

Os Interesses de Bush

Li no sítio da AlJazeera. Bush não teve coragem para aplicar sanções à Arábia Saudita, pese embora a existência de uma lei americana que o determina.

(foto de Meca de Abid Katib/Getty Images)
A questão prende-se com a falta de liberdade religiosa. A Arábia Saudita consta numa lista negra de países onde não existe liberdade de culto, uma lista elaborada pela United States Comission on International Religious Freedom, um organismo instituído pelo Congresso dos EUA. Ora, segundo determina a lei, país que entre nessa lista deve sofrer sanções de diverso tipo e nível, de modo a levá-lo a implementar a tal liberdade de culto. Isto cheira a pretexto para outras coisas… e o facto da Arábia Saudita permanecer imune ajuda ao mau cheiro. Tanto mais que, ao mesmo tempo que decidia dar mais tempo aos sauditas, o cowboy aplicou sanções à Eritreia. Pois… nenhum dos governantes da Eritreia é amigo de longa data da família, nem o país do Corno de África tem as reservas de petróleo do outro. E depois falam de... liberdade?