Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Aprender Com Os Melhores

Os americanos sempre foram bons nisto, ou seja, a importar cérebros que lhes proporcionem avanços tecnológicos ou outros. Basta lembrar que foram os cientistas alemães de Hittler quem levaram os astronautas americanos à Lua. Outro exemplo: as tácticas de combate e de assalto às ilhas no Pacífico dominadas pelos japoneses (durante a II Guerra Mundial) foram copiadas dos manuais de guerra deixados por Afonso de Albuquerque, um notório genocida que serviu os Reis de Portugal no século XV...

cartoon de Tom Toles, publicado no Washington Post.
A cena passa-se no julgamento de Saddam Hussein, no Iraque. O interrogador americano questiona o ex-ditador:
- Fale-nos sobre os esquadrões da morte, da polícia secreta, das torturas e das execuções...
E acrescenta:
- É que precisamos de umas dicas sobre como dominar este país.
Moral da história: aprender até morrer!

Terça-feira, Novembro 29, 2005

Best-sellers

Eram 14h30, noticiário na SIC Notícias. Falava-se de desporto, a vitória do Porto e coisas assim… até que se chegou à notícia do dia, o lançamento de um livro sobre histórias de balneário do Benfica. Interessante, não acham? Muito importante… muito instrutivo, as conversas no duche e nas sanitas do Estádio da Luz. O jornaleiro João Moleira ajudou a vender o livro. Empenhado, esteve mais de 5 minutos a conversar com outro jornaleiro, o autor da obra. Às tantas, Moleiro perguntava ao outro sobre “outros projectos literários”… literários? A ignorância desta juventude é um espanto!
O livro de capa encarnada passou nas tv`s, será um best-seller quase de certeza. A mesma sorte não deve ter o trabalho de dois anos de investigação, pesquisa, entrevistas e escrita que se materializou no “O Último Adeus Português”, livro de autoria do jornalista Emídio Fernando, repórter da TSF. Não sei se o livro é bom, porque ainda não o li. Depois direi. Mas, de certeza que é um trabalho honesto, isento, informativo e formativo. A Oficina do Livro não irá ganhar muito dinheiro com este lançamento, mas terá prestado um bom serviço ao público. “O Último Adeus Português” fala da guerra independentista em Angola e da descolonização, pelos depoimentos de quem viveu e interpretou os acontecimentos marcantes dessa época.
O lançamento da obra não passou nas tv`s… passou por aqui, enfim.

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

What The Fuck Is this?

O actual director da CIA, um tipo que dá pelo nome de Porter J.Goss, garante que "a agência não tortura". Pois...

A foto foi difundida pela Agência Getty Images e foi tirada já há uns meses em Sadr City, Bagdad.
A CIA usa "uma variedade de formas inovadoras e únicas" para "recolher informações vitais" citando o senhor Goss... o senhor Goss não quis especificar que "capacidades" são essas, mas alguns "amigos" do actual director da CIA (provavelmente tipos que lhe querem ficar com o lugar), já falaram por ele. Então, os métodos inovadores são os seguintes:
1- abanar ou bater no prisioneiro de forma a causar medo e dor.
2- obrigar o prisioneiro a ficar de pé, algemado de pés e mãos, mais de 40 horas...
3- despir o prisioneiro e encarcera-lo numa cela arrefecida.
4- molhar o prisioneiro com mangueiradas de água gelada.
5- aplicar a técnica da tábua que consiste em amarrar o prisioneiro a uma tábua inclinada, com os pés erguidos acima da cabeça, envolver-lhe o rosto com papel celofane e deitar água por cima, o que provoca sensação de pânico e afogamento.
Portanto, ficamos assim a saber o que não é tortura...

Sábado, Novembro 19, 2005

A Espera dos Abutres

A CIA informou o presidente dos EUA que o arqui-inimigo Fidel Castro sofre de Parkinson e que o seu estado de saúde deverá deteriorar-se a breve prazo.
Fidel fez um discurso de 5 horas, ontem, na Universidade de Havana, em parte só para desmentir essa informação da secreta yankee.
Fidel fará 80 anos, se não morrer antes de Agosto, e apesar de dizer que se “sente melhor que nunca”, a verdade é que ninguém é eterno. No entanto, ele já garantiu a imortalidade, sem dúvida. Por razões várias, nem todas boas. Mas, acima de tudo, por ter conseguido resistir.
A verdade é que já há uns anos que se fala da eventual doença de Parkinson que estará a debilitar lentamente o ditador cubano. O prepotente americano espera pela oportunidade. O prepotente aprendeu a ter alguma paciência, no caso cubano. Talvez pense que o regime cairá de maduro, assim que o velho comandante desaparecer.
Fidel designou um sucessor, mas é pouco provável que Raul Castro (o irmão, 74 anos) consiga aguentar-se. A sua legitimidade é igual a zero e, hoje, num país do hemisfério Norte, que por mais isolado que tenha estado sabe do que se passa cá fora (ainda por cima é assaltado por milhões de turistas todos os anos, que sempre levam novidades com eles…), será muito difícil legalizar um acto sucessório na presidência do país. Não bastará que um punhado de tipos levantem o braço, todos os cubanos quererão votar. Adivinho o caos, o que é o raciocínio mais elementar, dadas as circunstâncias…
Adivinho a raiva à solta dos exilados cubanos que vivem na Florida, ali quase ao lado…
Adivinho as tropas norte-americanas estacionadas em Guantanamo a redimirem o fiasco da Baía dos Porcos…
Sabe-se que o Departamento de Estado dos EUA tem um estudo sobre métodos a aplicar para a reestruturação do sistema judiciário cubano, para a implementação de instituições democráticas e para o pagamento (a cargo do estado cubano, for sure!) de indemnizações aos cubanos que vivem nos Estados Unidos e cujas propriedades tenham sido confiscadas em Cuba, indemnizações devidas mesmo aqueles que são culpados de actos terroristas, de crimes de sangue, de abate de aviões comerciais. Não são muitos, é certo, mas estão lá e são protegidos pela CIA e convidados em Washington. Vivem como heróis… e como heróis deverão ser recompensados, na hora do pay-back.
A preocupação dos EUA é comovente. Que cariño… pena é que Fulgêncio Baptista tenha morrido. O cadeirão ser-lhe-ia devolvido, por certo.

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

Diz o roto para o nú

Bush começa pela China uma ronda por vários países asiáticos. O presidente dos EUA vai tentar vender o seu peixe mas, cheira-me que o "mercado" oriental não estará muito receptivo... vai até ser engraçado ver o paladino das liberdades ser confrontado com os actos de tortura praticados pelos soldados norte-americanos no Iraque, no Afeganistão, nas prisões secretas espalhadas pelo Mundo. Este fim-de-semana, por exemplo, em Londres, vai decorrer uma conferência onde 25 ex-prisioneiros de Guantanamo vão relatar as sevícias a que foram submetidos durante meses e anos a fio. Ora, acredito que os ecos dessa conferência cheguem a Pequim, ainda a tempo de apanharem mister Bush a admirar a Cidade Proibida. E, assim, por absoluto demérito do adversário, o governo da China práticamente eliminou os seus problemas de desrespeito pelos direitos humanos de que muito se queixa boa parte da população chinesa. Como se dirá em chinês, "diz o roto para o nú"...

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

Compasso Nuclear

O Irão deu o passo que faltava para assumir em pleno o desafio aos dictates da potência imperial. Iniciou o processo de enriquecimento de urânio na central de Isfahan. A Agência Internacional de Energia Atómica vai fazer a vontade aos americanos e enviar o processo iraniano para o Conselho de Segurança da ONU.

No Conselho de Segurança, os EUA vão tentar convencer os parceiros a sancionar o Irão pela desobediência e por estar a tentar converter-se num "perigo global". Vamos ver como reagem a Rússia e a China, porque da França e da Inglaterra não devem surgir surpresas e os americanos contam como certo o apoio dos velhos amigos. E se a conversa se complicar, porque a Rússia e a China podem não querer alinhar com o Império, aposto que o servicinho será feito pelos israelitas, que andam doidinhos para lançar uma bomba em Isfahan.
O Irão corre um sério risco de ser atacado, de facto, mesmo se o governo já garantiu que o programa nuclear se destina a fins pacíficos, nomeadamente à produção de energia eléctrica.
Os americanos querem lá saber se no Irão as pessoas já não querem mais andar à luz da vela... o que importa é manter o clube nuclear tal como está e dificultar ao máximo a "adesão" de novos membros.
Antes do Natal devemos ter novidades sobre este assunto.

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Bill Gates e o Mosquito

O monstro tem sido imbatível ao longo dos milénios. Já se perdeu a conta às mortes que, desde sempre, tem causado. Acreditem que já caíram impérios por dele. Foi a malária que ajudou a desbaratar os exércitos de Roma e a enfraquecer o Império. Era uma das minhas esperanças secretas para o derrube do actual Império... mas parece que os sacanas se vão safar...

Parece que já há uma espécie de vacina contra a malária, a doença que mais mata no Mundo, principalmente no Mundo Pobre. A vacina foi testada em Moçambique e provou que protege de modo efectivo contra a doença, embora por tempo limitado. Os testes confirmam que ela confere pelo menos um ano e meio de protecção. Só em África, a malária mata 1 milhão de crianças por ano. A partir de agora, já não há desculpas para que isso continue a ser assim. Basta que os governos queiram fornecer o medicamento às populações e que o laboratório que o fabrica disponibilize a vacina a preços socialmente justos. É simples, mas incompatível com o negócio do fabrico e venda das drogas médicas. Pode ser que, desta vez, não se assista à vergonhosa negociata que existiu à volta dos medicamentos retrovirais com que se combate a Sida…
Os estudos clínicos estão a ser conduzidos por Pedro Alonso, da Universidade de Barcelona, no Centro de Investigação de Saúde de Manhiça, em Moçambique, um espaço financiado pela Agência de Cooperação Internacional Espanhola..
A "Mosquirix" foi desenvolvida ao longo de 18 anos nos laboratórios da Glaxo na Bélgica, e o ensaios clínicos contam com o apoio da Fundação Bill e Melinda Gates, que canalizou já quase 160 milhões de dólares para o projecto.
Os africanos agradecem ao milionário as boas intenções. Todos os que já sofremos com o Vivax (a variante mais mortal) ou o Falciparum, agradecemos.

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Bandeira ao Vento dixit

A Missão.
No Verão de 1549, Francisco Xavier chega a Kagoshima, na ilha japonesa de Kyushu, para iniciar o seu trabalho de evangelização. Relatos coevos recentemente descobertos por um bonzo num templo budista retratam os missionários como sendo jovens altos e loiros, de camisa branca, gravata ao pescoço e pasta na mão, invariavelmente aos pares, calcorreando incansavelmente as povoações sob o olhar desconfiado dos locais.

Sábado, Novembro 12, 2005

Que Lindos São os Pandas E os Teddy Bears

A última das guerras pelo petróleo será, provavelmente, entre a China e os Estados Unidos. Haverá outras, pelo domínio dos recursos de água potável, pela posse da terra arável, mas isso são contas de outro rosário.

A invasão do Iraque e as guerras que se aproximam têm a motivação na necessidade dos Estados Unidos e seus aliados controlarem as fontes energéticas mundiais, nomeadamente o petróleo.
Mas, num futuro não muito longínquo, a China vai desempenhar um papel muito interventivo nessa disputa. As necessidades energéticas chinesas vão muito para além da questão económica, como de resto acontece com as outras potências mundiais. A China está num processo acelerado de desenvolvimento industrial, de modernização tecnológica, está a tentar fazer em poucos anos o que a Europa e os Estados Unidos levaram 100 anos a fazer. E o problema é que a China é metade do Mundo e tem mais de metade da população mundial. De repente, metade do planeta começou a consumir recursos e isso não estava programado pelos estrategas ocidentais, acho eu. Apesar de alguns avisos sobre o que iria acontecer “quando a China acordar”, pensou-se que esse sono se iria prolongar por muito mais tempo. Mas os tipos acordaram, agora. Desde 1995 até hoje, as importações de petróleo chinesas duplicaram. Hoje, o país consome 7 milhões de barris por dia, mais do que o Japão mas, ainda assim, cerca de 1/3 do que consome a potência imperial, os EUA.
A crescente necessidade de obter energia para o seu esforço industrializante vai levar a China a entrar em confronto com os concorrentes. Mas, antes disso, o mundo vai continuar a ver o preço das matérias-primas a crescer ininterruptamente e, com isso, quem se vão lixar são os países mais pobres e mais dependentes.
Para já, as multinacionais estão contentíssimas com o acordar chinês. É que a China não consome só petróleo, mas também cimento, alumínio, produtos químicos, aço, carvão, produtos Cartier e automóveis de todas as marcas, modelos e proveniências. O negócio vai bem, mas o planeta está a ficar exaurido de recursos…
As fricções (nada amorosas) entre chineses e americanos vão dar-se, obviamente, no Médio Oriente, fonte de 70% do petróleo importado pela China. Vamos começar a ver, dentro de pouco tempo, os chineses a tentarem garantir a segurança dos seus petroleiros nos pontos sensíveis, hoje controlados pelos ocidentais: os estreitos de Ormuz e Malaca. Vamos começar a ver a China a tentar assumir controlo político sobre territórios cruzados pelos oleodutos que mais lhe interessarem, caso dos provenientes da Rússia ou do Cáucaso. Em África e na América do Sul, a China já tem em curso fortíssimas ofensivas diplomáticas, com contornos de cooperação económica beneficiando governos como os de Angola, Nigéria, São Tomé, Sudão ou a Venezuela.
Hoje, por exemplo, já se joga uma espécie de xadrez a três, entre as frotas navais russas, chinesas e norte-americanas, mas toda a geopolítica está a mudar face ao surgimento deste novo actor. A recente aproximação da China ao Irão é exemplo disso. Face a um elemento perturbador como é o Irão, a China vai jogar esse peão contra o seu maior inimigo. Os EUA que se cuidem, porque já não é possível interromper o crescimento chinês nem diminuir o seu apetite por um papel determinante na globalização.
O confronto com os americanos é inevitável. A China vai tentar fragilizar alianças antigas e status quo estabelecidos que beneficiam os ocidentais. Vai ser assim com a Rússia, de onde a China quer importar cada vez mais petróleo, vai ser assim com a Indonésia e a Tailândia por causa do controlo sobre as rotas marítimas que ligam o Médio Oriente e o Mar da China. A China vai amancebar-se com os inimigos de Washington: Irão, Venezuela, Cuba. Vai enfrentar pela força, se for preciso, quem não quiser aceitar a sua liderança no “quintal”, como será o caso do Japão com quem a China tem vários conflitos latentes.
Se as lições da História servissem de alguma coisa, a China e os EUA iriam cooperar em vez de competir. Mas não é natural que isso aconteça. O mais natural é que se matem uns aos outros. O pior, para nós, será conseguir distância suficiente para não apanharmos com os estilhaços.

Sexta-feira, Novembro 11, 2005

A Liberdade de Escolher

Este cartoon, de autoria de Tom Toles, publicado há dias no Washington Post, aborda o modo falacioso como o governo norte-americano coloca a questão do alegado combate ao terrorismo.
Mas, em boa verdade, a táctica de Bush é velha, já Salazar dizia "ou estás comigo ou contra mim" e não consta que ele fosse um grande inovador...

tradução:
A questão: a Lei (o Patriot Act) permite que o governo inspeccione todos os websites por onde você navegou, mesmo se você não for suspeito de coisa alguma. Concorda?
Primeira hipótese de resposta: sim, eu não quero saber dos meus direitos e liberdade.
Segunda hipótese de resposta: não, eu sou um terrorista que odeia a liberdade.

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

O Cambalacho

Os especialistas na economia do país noticiaram que os lucros conjuntos das três seguradoras Tranquilidade, ES Seguros e Tranquilidade Vida, cresceram 92,6% até Setembro, face a igual período de 2004. Estes lucros significam um bolo acrescido de 52 milhões de euros… Esta riqueza foi acumulada graças ao forte crescimento nas áreas Saúde, Acidentes Pessoais, Incêndio, além do Ramo Automóvel.

Ora, por coincidência, enquanto lia esta excelente notícia para os donos das companhias de seguros, recebi em casa uma cartinha desses senhores em que diziam (e passo a citar): “em 2004, Portugal não registou ainda um índice de sinistralidade ao nível comunitário, apesar do esforço legislativo para reduzir este fenómeno. Esta realidade, associada ao aumento de custos com reparações de veículos obriga as seguradoras portuguesas a reverem os prémios do seguro automóvel. Neste contexto, iremos proceder a um ajustamento no seu prémio do seguro automóvel na próxima anuidade, pelo que o valor do próximo recibo será de 79 Euros.”
Moral da história: ou os jornalistas especializados na área económica são burros (o que é possível) e escrevem sem nexo (o que é possível), ou as companhias de seguro andam conluiadas num cambalacho para nos sacarem a massa à descarada (o que é quase certo).

Cheney, O Torturador


cartoon de Tom Toles publicado há 2 dias no Washington Post

Sábado, Novembro 05, 2005

O Ditador Está a Pensar... Num "Esquema"

O ditador angolano prepara o futuro, sem pressas. Empanturrado em dinheiro, o facínora ainda não decidiu se fica, se vai embora. O drama dele é que ficar não tem graça, apesar da imensa corte que o rodeia sempre disposta a vergar a espinha ao mais simples desejo do chefe. Mas ir… para onde? Com que garantias de que algum Baltazar Garçon não lhe passa uma corda ao pescoço?...

Em Angola fazem-se apostas sobre a data das eleições. Não sobre o mês, mas sobre o ano em que se realizarão. Era suposto ser agora, em 2006, mas o processo está atrasado e pode ser quer antes de 2007 nada aconteça… e como o Presidente só é obrigado a anunciar a data com 90 dias de antecedência, a expectativa é enorme.
Certo é que o Governo só marcará eleições quando não houver a mínima dúvida de que o MPLA vai ganhar. Como a administração do estado só há pouco tempo atingiu todo o território nacional, ainda é preciso montar e olear bem o mecanismo da fraude, para que nada possa correr mal. Surpresas desagradáveis é que não!
No campo da oposição, só os pequenos partidos políticos desejam que as eleições se realizem. A UNITA (que sabe que não a deixam vencer) está dividida entre enfrentar o desafio e a certeza de vir a perder boa parte das benesses oriundas do orçamento estatal. O MPLA já há muitos anos que experimenta com sucesso um fantástico remédio calmante para os seus adversários políticos de maior envergadura: dólares. É o estado angolano que engorda um exército de galifões, que outrora já foram pretos e hoje são só amarelos… enquanto não houver eleições, a UNITA continua a fazer parte de um governo de unidade nacional. Depois, perderá esse tacho. Daí as indecisões…
O velho ditador hesita. Ele tem um plano secreto, de cujo sucesso depende a sua permanência no poder. Zédú quer que o MPLA vença as eleições com maioria de 2/3 para que possa mudar a seu belo prazer a Constituição e alterar a natureza do regime para um super-presidencialismo, de modo que ele (Zédú) possa continuar a manipular a seu belo prazer as riquezas de Angola.
Em síntese, o problema é legalizar a rapina e a prepotência. Por causa dos Baltazar Garçon que andam por aí…

Países do Mercosul Não Foram Na Cantiga de Bush

Na foto, Bush despede-se dos parceiros da Cimeira de Mar de La PLata, na Argentina. Voltou para casa sem ter conseguido impôr a sua vontade...

Fonte próxima da Cimeira, sob anonimato, garantiu que o Presidente Lula, no momento da despedida, que a foto documenta, disse entredentes: "vai tomar no cú, cafageste...". Sem tradução em simultâneo, Bush perdeu o profundo significado da frase. Foi pena.

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

Fuera Bush!!!

Bush chegou cheio de medo a Mar de La Plata, na Argentina. Levou mais de 400 guarda-costas… um autêntico exército de agentes secretos e tipos das operações especiais. Até parece que o homem quer tomar o poder… na Argentina, tal a força militar que levou consigo.

O Presidente dos EUA escolheu a Argentina para tentar congregar esforços para a implementação de um acordo de livre comércio entre os estados do Continente Americano, mas logo à partida excluiu Cuba. Também logo à partida a Venezuela se auto-escluiu e, assim, a implementação do acordo enfrenta algumas dificuldades.
Nas ruas de Mar de La Plata a polícia também tem tido algumas dificuldades em suster a multidão que se manifesta (foto) contra a presença de Bush. Os manifestantes são às dezenas de milhar. E não é difícil de perceber porquê… é que a Argentina é, precisamente, o pior exemplo existente dos malefícios do comércio livre e da globalização. O país foi à falência, com mais de 100 mil milhões de dólares de dívida externa que declarou não ter capacidade de pagar. Foi um colapso total do sistema económico e financeiro, apesar da Argentina ser um dos “alunos modelo” do Banco Mundial e do FMI.
Hoje, o país tem milhões de cidadãos a viver em pobreza extrema. Para os Argentinos, comércio livre significa benefícios para as grandes multinacionais estrangeiras e falência das empresas nacionais. Por isso eles se manifestam contra Bush…
Curioso é que enquanto Bush diz que quer implementar esse acordo de comércio livre já no próximo ano, o Senado dos EUA está a ponderar construir um muro (um muro alto…) de 3.200 quilómetros de comprimento para… fechar a fronteira dos EUA com o México. Parece que a política de free trade dos yankees só tem um sentido…

O Peso Dos Cadáveres


A contagem é da Associated Press e vem citada no blog do Michael Moore: 2037 soldados americanos mortos no Iraque. Também é sob o peso destes cadáveres que a popularidade de Bush está a soçobrar.

Bush Em Queda


Começou a cair e ninguém sabe agora dizer quando, onde e se vai parar... A última sondagem publicada pelo Washington Post diz que 60% dos americanos começaram a abrir os olhos e não aprovam nem a política interna nem a externa do seu presidente.

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Adivinha Quem Vem Jantar...

A polícia foi a casa de Jorge Coelho. A visita aconteceu já há mais de uma semana, mas só agora se deu a “fuga de informação”. Se isso não tivesse acontecido, a visita permaneceria em segredo, eventualmente até que a polícia tivesse alguma certeza sobre o que a levou a efectuar uma busca em casa deste político.
Mas como o que interessa, para já, é apenas semear a dúvida e a intriga, espalha-se a novidade como fogo na palha. A minha avozinha dizia que não há fumo sem fogo e assim é, para todos os efeitos. Se a polícia lá foi, alguma coisa se passou – é assim que funciona o senso comum, não tenham dúvidas. Essa história de que todos somos inocentes até prova em contrário é muito bonita, mas as coisas não funcionam assim.
E há algumas coisas que não batem certo, nesta história. A primeira, é que o Jorge Coelho, mula velha da política, já devia saber que não seria possível manter em segredo a busca efectuada em sua casa pela polícia. Devia ter sido ele, logo na hora, a dar conta do que tinha sucedido e, assim, enfrentar o boi de frente. A segunda, é que se a polícia lá foi procurar alguma coisa (documentos, tabuleiros de xadrez ou fosse o que fosse…) não se entende que o Procurador-Geral da República venha dizer que a busca “não assentou” em suspeitas de ilícito criminal. Ai não? Então assentou em quê? Não foi preciso um mandato de busca assinado por um juiz? Foram lá tomar chá? Isto é um bocado ridículo… A terceira nota estranha, foi a necessidade de Jorge Coelho se afirmar “impoluto e incorruptível”… ó meu amigo!... todos temos um preço… o seu pode é ser mais alto do que a maioria, mas há quem possa lá chegar, disso não tenho dúvidas.

Terça-feira, Novembro 01, 2005

Gulags 11

É evidente que a grande maioria dos prisioneiros de Guantanamo ou Abu Ghraib não está relacionada com qualquer organização terrorista nem representa qualquer ameaça para o Mundo ocidental. Pelo menos, não representavam quando foram detidos. Agora, depois de 4 anos de detenção arbitrária, acusados de nada e torturados para que confessem o que os americanos gostariam de ouvir, pode ser que se tenham tornado militantes empedernidos da causa islâmica.

Mas, a verdade é que os julgamentos não se fazem, não há condenações e, a conta gotas, os detidos vão sendo libertados. É através deles que se vai sabendo as reais condições de detenção dentro desses locais secretos e escondidos de qualquer investigação internacional, seja da Cruz Vermelha Internacional ou de qualquer outra organização minimamente credível.
Os relatos do que por lá se passa são dados por desertores da causa americana, gente que colapsou ao peso da má consciência, ou por ex-detidos que ainda encontram coragem para denunciarem os “defensores da liberdade”.
Um desses livros, intitulado “The Interrogators”, escrito sob pseudónimo, denuncia que a grande maioria dos detidos são apenas “gente vulgar”, que foram denunciados como elementos terroristas a troco de dinheiro.
Dinheiro, dólares, pilim, carcanhol… os yankees julgam que podem comprar o Mundo e, tantas vezes, acabam a comprar gato por lebre. Foi o que sucedeu no Afeganistão e no Iraque (e noutros locais) onde governos e senhores da guerra venderam, literalmente, cidadãos vulgares, gente sem qualquer militância relevante, porque os americanos pagavam por cabeça e não cuidavam de investigar a pertinência de cada denúncia.
Assim, centenas de pessoas, homens e mulhares e crianças... continuam a apodrecer nas cadeias militares americanas. E o crime ainda é mais medonho porque os senhores em Washington sabem do que se passa. Mas a burocracia, sabem o que é…