O que fazer com esta vitória eleitoral dos radicais islâmicos do Hamas? A pergunta não é retórica. Do ponto de vista dos israelitas é angustiante. Andaram anos a destruir e a matar a estrutura administrativa e política dos palestinianos e, agora, descobriram que correm o sério risco de não terem interlocutor. E matar todo o povo palestiniano não é solução politicamente aceitável…
O Conselho de Segurança, a mando dos EUA e aliados ocidentais, lá anda a pressionar o Hamas para se converter aos ideais democráticos. Mas, cheira-me, não vai ser fácil. É que as exigências são muitas e as contrapartidas parecem-me poucas.
Pedem ao Hamas que reconheça Israel. Pedem-lhe que respeite todos os acordos feitos pela Fatah e a comunidade internacional, incluindo Israel. Pedem que o Hamas, nomeadamente, cumpra com o estipulado no Roteiro Para a Paz. E pedem, finalmente, que o Hamas se sente, calmamente, à sombra do muro construído pelos Israelitas e pense no brilhante futuro que a Palestina tem pela frente.

Em troca, o mundo civilizado e democrático promete dólares e euros. Parece-me pouco, por mais dólares e euros que enviem. Até agora, esse dinheiro serviu, essencialmente, para engordar contas bancárias de chefes corruptos. Espero que o povo não deixe o Hamas assinar acordos em troca de dinheiro. É o modo mais fácil de voltar a ter dirigentes corrompidos. Espero que, qualquer acordo, seja feito com base na definição de fronteiras justas e internacionalmente respeitadas, com garantias de acesso à água potável, com garantias de livre circulação e de continuidade territorial do Estado da Palestina. Porque, sem estas garantias concretizadas, jamais haverá paz no Médio Oriente.