Sexta-feira, Março 24, 2006

O Cerco à Rússia Aperta-se

Os EUA estão a invadir e a conquistar a Europa de Leste. O cerco à URSS está, na prática, concluído. Os últimos passos foram dados, agora. Os Estados Unidos e a Bulgária chegaram a acordo para instalar três bases militares norte-americanas e um entreposto de materiais bélicos em território búlgaro.
O polígono de Novo Selo perto de Sliven, as bases aéreas de Bezmer, perto de Yambol, e de Graf Ignatievo, perto de Plovdiv, bem como um entreposto perto de Aitos, estão abrangidos por este acordo.
O acordo deverá ser assinado durante uma visita da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, em finais de Abril, à margem de uma conferência ministerial da Nato, indicou Ivanov. No início de Dezembro passado, Rice assinou um acordo com a Roménia para outras quatro bases militares.
O estatuto jurídico dos militares norte-americanos será gerido pelo acordo da Nato sobre as forças armadas de 1951, segundo o qual "um contingente é submetido à jurisdição do país que o envia, nomeadamente no que diz respeito à disciplina e ao comando", isto é, sempre que cometam um crime, os americanos serão julgados por eles mesmo…

Domingo, Março 19, 2006

Os Aldrabões

Soube-se agora que a prática de tortura sobre presos às ordens das tropas iraquianas se tinha tornado um hábito institucionalizado… portanto, os tipos persistiram em mentir, quando afirmaram que as torturas eram da responsabilidade de indivíduos isolados, actuando fora da cadeia de comando.
Segundo vem no The New York Times, uma unidade de Operações Especiais norte-americana utilizou uma antiga câmara de torturas de Saddam Hussein como centro secreto de detenção para maltratar presos no Iraque, antes e depois do escândalo de Abu Ghraib, escreve o jornal. O acesso a esta câmara, conhecida como "o quarto negro", estava vedado até aos representantes da Cruz vermelha, refere o jornal, citando como fontes funcionários de escalão intermédio do Departamento da Defesa que falaram a coberto do anonimato. O objectivo daquela cela, segundo o jornal, era "extrair informações" … nem que fosse com alicate, digo eu.
O jornal precisa que o "quarto negro" fazia parte de um centro de detenção temporária em Camp Nama, o quartel-general da unidade especial conhecida como Task Force 6-26, nas imediações do aeroporto de Bagdad. Na cela em questão, sem janelas e pintada de negro, os soldados da unidade "golpeavam os prisioneiros com as culatras das espingardas, gritavam-lhes e cuspiam-lhes na cara e, numa área vizinha, usavam-nos para com eles praticarem tiro, mas disparando tinta". Miminhos, portanto…
Um letreiro com a inscrição "Nem sangue, nem maus-tratos" recordava aos carcereiros um lema adoptado pela Task Force 6-26:"se não os fizeres sangrar, não poderão denunciar-te".
"A realidade é que, ali, não havia regras", conta um funcionário citado pelo jornal nova-iorquino.
Os abusos, que já eram cometidos antes de vir a público o escândalo das sevícias de Abu Ghraib, em Abril de 2004, continuaram a ser praticados apesar de, em Agosto de 2003, um investigador do exército e funcionários dos serviços secretos terem tido conhecimento do facto.
O comando de Operações Especiais indicou ao NY Times que 34 membros da unidade foram castigados pela prática de maus-tratos sobre detidos. Entre os militares punidos figuram cinco soldados recentemente condenados por terem levado a cabo o mesmo tipo de acções em Setembro passado. Soldados… quando começarão eles a julgar os majores, os brigadeiros, os generais, os presidentes?

Quarta-feira, Março 15, 2006

O Aldrabão

Cartoon de Nick Anderson publicado no Washington Post
Nunca um só sacana tentou enganar tanta gente...

Quarta-feira, Março 08, 2006

Tijolo a tijolo

Nos Estados Unidos da América, há uma corrente de opinião favorável à construção de um muro ao longo dos 2 mil e tal quilómetros da fronteira com o México. Nem queria acreditar, mas li isso mesmo, hoje, na edição electrónica do Washington Post. Era uma prosa assinada por um senhor que dá pelo nome de Robert Samuelson… diz ele, então, que os EUA não podem continuar indefinidamente a receber emigrantes pobres e não-qualificados. Samuelson recorre à estatística: a polícia americana detecta, anualmente, quase 2 milhões de emigrantes ilegais (todos pobres e não-qualificados); o contingente legal de emigrantes é de 1 milhão, aproximadamente, a maioria é de gente pobre e não-qualificada. Samuelson diz que o país não aguenta mais, com tantos pobres não-qualificados e preconiza que se estenda ao longo de toda a fronteira o muro já existente na região da Califórnia: cerca de 18 quilómetros de cimento e ferro, com uma altura de 4 metros e meio… a estatística diz que este muro tem sido um sucesso, já que as entradas ilegais de mexicanos pobres e não-qualificados foi reduzida em 95%. Antevejo já, num futuro próximo, todas as fronteiras do Mundo revestidas a betão… será um maravilhoso Mundo Novo… por outro lado, não sei o que pensarão os capitalistas desta história dos muros. Exceptuando os construtores civis, acho que os restantes não apreciarão a ideia de ficarem sem a estimável mão-de-obra barata, ainda mais barata quantos mais forem os pobres não-qualificados ao dispor. Há esperança, portanto…

Domingo, Março 05, 2006

Oremos, portanto...

Tony Blair diz que Deus o julgará no caso da guerra do Iraque. Depois do amigo Bush ter dito que tinha sido Deus quem lhe ordenara invadir o Iraque, que raio de isenção terá este deus para julgar a decisão de Blair? Como podemos nós esperar isenção da parte de quem, obviamente, não só concorda com a guerra mas, antes de tudo, a terá decidido?
Agora, fora de brincadeiras… a afirmação de Blair foi feita num programa de televisão. Entrevistado por Michael Parkinson, Blair terá dito, e cito, "That decision has to be taken and has to be lived with, and in the end there is a judgment that - well, I think if you have faith about these things then you realise that judgment is made by other people… If you believe in God, it's made by God as well". Traduzo assim: “A decisão teve de ser tomada e temos de viver com ela, no final haverá um julgamento sobre isso, para quem acredita, esse julgamento será feito por Deus.” Desde Março de 2003 que já morreram centenas de milhar de pessoas, nesta guerra egoísta. Esta história de sacudir a água do capote, responsabilizando entidades divinas pelas decisões humanas, é um expediente engraçado…

Sexta-feira, Março 03, 2006

Carta de um pai

O pai de um soldado inglês, morto no Iraque, escreveu ao Primeiro-Ministro Tony Blair. Escreveu assim: Caro Primeiro-Ministro,
Assunto: Sargento Christian Ian Hickey, 1ºBatalhão de Guardas Coldstream, 97ªbaixa mortal no conflito do Iraque.

O senhor, que também é pai, compreenderá certamente que a coisa mais preciosa que temos na vida são os filhos. Até há quatro meses, fui abençoado com dois rapagões. Em relação a um deles, ainda não me habituei a falar no Pretérito Perfeito. O mais novo, Christian, de 30 anos, era soldado. Era um rapaz de excelente carácter, cheio de alegria, grande sentido de humor e generoso, preocupava-se com os outros. Era também um excelente soldado, progrediu rapidamente na carreira e chegou a sargento com 29 anos.
Desde que o meu filho morreu, em Outubro de 2005, a três dias de terminar a comissão de serviço, que gostava de saber porque invadimos o Iraque. O que estamos ali a fazer? Em que condições mantemos ali os nossos soldados? O meu filho morreu num rebentamento de uma bomba na berma da estrada. O batalhão apenas tem jeeps em fibra de vidro, em vez de Land Rovers blindados.
A sua esposa, senhor Primeiro-Ministro, Cherie Blair, desloca-se num veículo governamental à prova de bala. Gostaria que me dissesse quem corre maior risco, se as tropas numa zona de guerra, se a sua esposa em Londres. Até as botas que deram ao meu filho, quando foi para o Iraque, se revelaram impróprias para aquele clima e ele teve de comprar outras do seu próprio bolso. Os soldados ingleses são conhecidos pela alcunha dos “pedinchas”, entre as forças da coligação.
Os iraquianos não nos querem lá. Uma sondagem recente indicou que 65% dos iraquianos apoia ataques contra soldados ingleses, 82% opõem-se veementemente à presença de tropas estrangeiras no país. É tempo de tirar os rapazes do Iraque e deixar que os iraquianos decidem o seu próprio futuro.
Até agora morreram 103 soldados, numa guerra baseada em mentiras. Morreram por ela, morreram por nada.
Declarar guerra é uma decisão grave. Resulta em muitas mortes e implicações difíceis de imaginar no relacionamento futuro das nações. Pelo que sei, a invasão do Iraque é de duvidosa legalidade.
Eu trabalho num serviço de protecção social a crianças. Se falhar, posso por em risco a vida de alguma criança. Se isso acontecer, haverá um inquérito e eventualmente uma acusação por negligência. Aceito essas condições. Mas gostaria que o senhor Primeiro-Ministro também aceitasse as suas responsabilidades por mandar homens para uma guerra sem fundamento legal.
Tanto quanto sei, o senhor nunca foi a nenhum dos 103 funerais realizados até agora, nem visitou nenhum dos mais de 790 feridos. Gostaria de saber porquê.
Atenciosamente,

(O texto da carta é bastante mais extenso. O que transcrevo aqui é apenas parte, sendo que mantenho o espírito da missiva).

Quarta-feira, Março 01, 2006

A adaptação


cartoon de Tom Toles publicado no Washington Post
- Vou tentar persuadi-lo a remodelar a Comissão de Direitos Humanos...
- Está pronto?
Realmente, o segredo da sobrevivência das espécies sempre esteve na capacidade de adaptação ao meio ambiente. Portanto, se as Nações Unidas querem sobreviver...